Judex, Quo Vadis?

Uma análise crítica dos rumos da Justiça.

O blog não tem a pretensão de indicar nortes ou apontar soluções para as mazelas que atingem o Poder Judiciário.
É apenas uma tentativa de escancarar os bastidores, realçar as entrelinhas, dissecar o corpo e expôr as vísceras.
Através dos textos, busca-se dissipar a fumaça – seja do incêndio, seja dos fogos de artifício – que esconde ou dissimula o palco das relações políticas e sociais, no qual se articulam os destinos da Justiça e, em ultima análise, da sociedade.

Os textos são exibidos em ordem cronológica e são simultaneamente armazenados, por tema e autor, nos marcadores específicos.

6 de abril de 2013

Grilo na cuca e traças nos bolsos


Deu no uol:


"Proporção de acordos salariais acima da inflação quintuplicou desde 2003"

O Dieese publicou em seu site um interessante infográfico sobre as negociações coletivas de salário desde 1996. São todos dados históricos e nenhum deles é inédito, porém, da forma como foram organizados, permitem enxergar com muita clareza como aumentou o poder de barganha dos sindicatos a partir de 2004.
O ano de 2003 foi o pior para os empregados, em todo o período estudado. Apenas 18,8% dos acordos ou convenções analisados resultaram em aumento acima da inflação.
Em 2012, essa proporção foi cinco vezes maior e atingiu 94,6% do total, no melhor ano para as negociações coletivas, do ponto de vista dos assalariados.
O indicador de inflação utilizado foi o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
(...)
O Dieese concluiu que, em 2013, o atual padrão de aumento deve se manter ou mesmo avançar, porque a “situação econômica é claramente mais positiva”, com uma expansão do PIB (produto interno bruto) que pode chegar a 3% ou 4%, diz a entidade.”

Não sou o Dudu França - atração no último jantar da APAMAGIS – mas também estou com “grilo na cuca”.

Bel. Pinguelas de Miranda


Se vira nos 5%




O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo puniu com aposentadoria compulsória um juiz por ter arrematado, entre 2008 e 2009, vinte imóveis em leilões judiciais. A acusação é de que ele os arrematava para revender, o que foi entendido como atividade empresarial.
Indaga-se: juiz pode ter fazenda e vender boi? Juiz pode ser dono de instituto de ensino? Juiz pode vender livros? Juiz pode vender palestras?

Bel. Pinguelas de Miranda


4 de abril de 2013

Magistratura em Extinção



Juízes leigos terão de prestar concurso público

(...)

O juiz leigo atua nesses juizados como auxiliar do magistrado que dirige o processo, realizando diversas tarefas sob a supervisão do juiz togado. 

(...)

Como a proposta dos Juizados Especiais é tornar a Justiça mais simples, econômica e ágil, o juiz leigo promove conciliações entre as partes, preside audiências, ouve testemunhas, instrui o processo e até prepara a minuta da sentença para o juiz, que age como supervisor dos trabalhos. 

(...)

O valor da remuneração não poderá superar o valor pago ao maior cargo cartorário de terceiro grau de escolaridade do primeiro grau de jurisdição do Tribunal de Justiça que o Juizado Especial integra. 

(...)

Os tribunais terão 120 dias para se adequar à norma, a partir da data da publicação da resolução. 


Fonte: Agência CNJ de Notícias 



Para bom entendedor meia resolução basta.



Bel. Pinguelas de Miranda



Credicard


Médico: 20 horas semanais
Veterinário: 20 horas semanais
Jornalista: 25 horas semanais
Advogado: 20 horas semanais
Juiz: não tem hora


Bel. Pinguelas de Miranda

1 de abril de 2013

EFEITO MARTELO



O maior e mais terrível efeito do CNJ é a instrumentalização do Poder Judiciário. 
Poucos são os que percebem esse catastrófico objetivo; raríssimos os intelectuais que ousam enxergar. Isso me faz pensar em Heidegger.  

Augusto F.M.F. de Arruda

28 de março de 2013

O Tempo é Senhor da Razão


"Criado para combater vícios da magistratura e melhorar a gestão do Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) começa a reproduzir os mesmos problemas dos tribunais brasileiros. São processos que andam a passos lentos, pressões políticas, inchaço da máquina, aumento de gastos com passagens aéreas, contas de telefone e diárias, além de pequenos, mas simbólicos, malfeitos, como o uso de carro oficial por ex-conselheiros." (Estadão, edição de 28 de março)

Pelo jeito o CNJ esta precisando do controle interno do Poder Judiciário.

Como diria o Cazuza:

Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha...

Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer "sim, sim"

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...

Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair...

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...

Confia em mim
Brasil!!




Bel. Pinguelas de Miranda

19 de março de 2013

Moeda de um lado só


Deu no jb.com.br:

"CNJ aposenta juiz do Piauí em processo disciplinar

Barbosa critica "conluio" entre magistrados e advogados"


O magistrado foi aposentado compulsoriamente. 

E os advogados?


Bel. Pinguelas de Miranda


14 de março de 2013

SUA EXCELÊNCIA A EXCRESCÊNCIA!

O ministro Gilmar Mendes,  presidente da comissão criada para discutir o anteprojeto do novo Estatuto da Magistratura, finalmente notificou a Associação dos Magistrados Brasileiros para “apresentar contribuições” à nova Lei Orgânica que regerá a carreira e sepultará a atual LOMAN.  O prazo é até o dia 22 de março de 2013, ou seja, pouco mais de uma semana!

A referida comissão - que é integrada por um único magistrado de carreira, o ministro Luiz Fux- pretende que em dez dias a AMB se faça voz de mais de 15.000 juízes e apresente “colaborações” ao referido anteprojeto, cujo teor nem mesmo se fez conhecido da magistratura a fim de que esta pudesse realmente contribuir com eventual aprimoramento.

Assim agindo, demonstra o Supremo Tribunal Federal a falta de apreço pelos milhares de juízes que, espalhados por todo o Brasil, a maioria em pequenas Comarcas onde estão em contato próximo com jurisdicionados, sejam estes apenas cidadãos em disputas privadas ou contra a Administração Pública, políticos demandados por improbidade ou malfeitores processados criminalmente, estarão de fato alijados do processo de discussão do regramento da carreira e de seus direitos, obrigações e condições de exercício da judicatura. São os magistrados de carreira, destarte, remetidos ao limbo da ignorância sobre o regramento futuro da magistratura, carreira à qual alçaram por mérito, mediante concurso público. Aliás, o agir da Corte Maior parece apenas refletir o mesmo desapreço que têm demonstrado representantes das cúpulas do Judiciário em discursos generalistas sobre a carreira, de onde pinçam o que há de pior e constitui absoluta exceção, a excrescência, fazendo desta a suprema regra que ajuda a outros Poderes, formais ou camuflados (Yo no   creo, pero que los hay, los hay), a construir uma verdadeira ideologia para denegrir a magistratura, e para tornar mais vulneráveis os Juízes no desempenho do labor.

Tal atuar da cúpula do Judiciário reflete a fragilidade da magistratura pela falta de apoio e de atuação político-partidária, atividade da qual está o Juiz alijado por determinação legal, pelo menos nas instâncias inferiores - uma vez que a “magirus” ao Olimpo, as cortes de Brasília, é quase exclusivamente a política - tanto quanto demonstra o distanciamento entre quem, apesar de também ser magistrado, não obstante chamado ministro, olha com desdém e desprezo os que levam a Justiça a quem precisa, seja para resolver uma questão contratual, um conflito familiar, comandar uma internação hospitalar, a entrega de um remédio, ou determinar o encarceramento de um malfeitor, dentre tantas outras, contudo, apenas por cumprirem a atual Lei Orgânica, se viram órfãos de representação política no Parlamento e, ainda que cause surpresa e estupor, se tornaram invisíveis aos próprios gestores de plantão do Poder Judiciário.

E tornando ainda mais sensível e vulnerável a situação da magistratura de carreira, o agir da imprensa nacional diz que também não poderá com esta contar, até porque se alinha a prensa comercial aos mesmos discursos generalistas acima criticados, e nem é necessária muita visão para perceber que a excrescência vende mais jornal do que a excelência, embora aquela seja a exceção e esta a esquecida e desinteressante regra. Isso porque não interessa que os magistrados brasileiros sejam os que mais produzem no mundo, que julguem dez vezes mais processos do que os eficientes colegas do Judiciário americano, e que para tanto superem deficiências estruturais graves, como falta de servidores, equipamentos, materiais, prédios adequados, segurança e por aí vai. Isso não interessa à imprensa, pois não vendem jornais os milhares de juízes anônimos, e discretos por imposição da atual LOMAN (ainda que não seja neste ponto observada por todos), mas sim os raros que cometem deslizes, os que não merecem a toga e que, contudo, são transmudados artificialmente na regra, como se todos fossem “bandidos de toga”, desvirtuando o que deveria ser interpretado como um bandido que não merece e, por isso, deve ser despido da toga que o fantasiou.

Não se pode presumir de tal quadro que a cúpula do Judiciário esteja construindo o melhor para a magistratura de carreira, posta em nevoeiro denso sobre seu futuro, mas se propostas ainda forem cabíveis e pecados houver na prudência, discrição, dedicação, zelo e distanciamento político dos magistrados, é de se esperar que os ministros que usucapiram em tempo curto o projeto da nova LOMAN, irmanados por deputados e senadores dos quais são vizinhos e receberam apoio para alçar à Suprema Corte, autorizem as condutas e valores cujo comportamento e discursos têm propagado a todos os magistrados, para que possam assim expor a intimidade de seus jurisdicionados, o que certamente venderá muitos jornais; para que possam abandonar a discrição em troca do populismo; para que se permitam fazer ídolos e salvadores da Pátria valendo-se da mídia e do marketing pessoal; para que possam exercer a política e nesta fazer aliados chefes do Executivo e integrantes do Legislativo, ou quem sabe trocar o Judiciário por tais poderes, onde terão férias de bem mais que sessenta dias  e regalias às custas dos cofres públicos, sem qualquer crítica da eletiva imprensa. E também é bom garantir que possam os juízes gritar contra o despotismo não esclarecido.

Antonio Carlos Martins

8 de março de 2013

ERA UMA VEZ!


       Era uma vez, na Roma do século I a.C, o instituto do "senatus consultum", através do qual os magistrados romanos propunham ao Senado deliberações que, uma vez aprovadas por este, tinham força de Lei. Era, repito, era uma vez, pelo menos para os magistrados, que agora não têm vez! No governo, no parlamento, e até no Supremo Tribunal Federal, ouvem-se associações de jornalistas - chafurdem seus associados onde bem entendam, e às vezes é bom que o façam -, trabalhadores portuários, centrais sindicais, igrejas, movimentos de "sem terra", estudantes "sem estudo" que se prestam a perseguir blogueiras e por aí vai.
 
     Os magistrados brasileiros, contudo, estão como mudos ou párias! Não são ouvidos nem na reforma de Códigos, seus principais instrumentos de trabalho - está aí um projeto de Código Penal para tornar ainda mais caótica a crise de segurança e da própria Justiça, que não deixará dúvidas disso, acaso aprovado -,  e nem mesmo para a elaboração do novo Estatuto da Magistratura os juízes foram convidados à discussão ou participação, por mais tímida que seja, o que se reservou apenas a ministros, os quais conhecem o Judiciário luxuoso do Planalto Central, do alto de seus gabinetes apinhados de assistentes, garçons, seguranças, motoristas com carros oficiais, assessores de imprensa especialistas em aplacar chiliques e faniquitos, dentre outros capinhas.
 
     Relegou-se apenas aos deuses do Olimpo candango -  que têm seus contra cheques engordados por auxílio moradia, auxílio alimentação gourmet, pagamento de planos de saúde, passagens e diárias internacionais, além de rendas extraordinárias atraídas pelo alto cargo, seja para ministrar palestras ou como professores de universidades que fornecem até o "auxílio jatinho", extensivo às consortes – a tarefa de elaborar o anteprojeto da nova Lei Orgânica da Magistratura (ou seria o projeto da nova Lei Orgânica Antimagistratura?).
 
     Os outros 15000 magistrados espalhados pelo Brasil afora - pobres mortais, sem sorte, sem carros oficiais ou motoristas, sem segurança e sem planos de saúde, sem funcionários em suas Varas e sem sistemas de informática ou estrutura moderna e adequada, os quais pagam aluguel pelas “residências oficiais” caindo aos pedaços que ocupam, quando existem, restarão metas a cumprir - mesmo que sem estrutura compatível com a demanda - além do desestímulo, a amargura de assistir impotentes a derrocada e o amesquinhamento de um Poder da República transformado em serviçal, isso com a ajuda e o "empurrão" (zão) de vaidosos intestinos.
 
     Só para concluir essa “estória”, onde o tradicional “e viveram felizes para sempre” não tem vez, o que se pode esperar é que finde com a frase “era uma vez a magistratura”, cujo golpe de martelo final sobre seu destino, por convite do Zeus de plantão do Supremo Tribunal Federal, será dado pelos atuais presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, morto o “senatus consultum”.
 
Antonio Carlos Martins

2 de março de 2013

Ignorância Excelsa

O Min. Joaquim Barbosa, na crista da onda em razão de suposta popularidade por ser o Relator do Mensalão, veio agora com a BESTEIRA de dizer que os juízes têm a cultura da impunidade!

Pois bem!!

Ora, sr. Ministro, então me responda:

a) a quem incumbe o ajuizamento das ações penais? Por que elas nunca são ajuizadas contra figurões? Ou quando o são, via de regra é no último minuto do segundo tempo prescricional?

b) a quem incumbe fazer a prova da culpa do réu? Ao Juiz? Então o senhor NÃO SABE O QUE É SER JUIZ, e deveria sair do cargo JÁ! Incumbe ao Ministério Público, cujos Promotores raramente vão à audiência. Só quando são instados pelo Juiz, e ainda assim vão com beiço imenso.

c) a quem incumbe ajuizar ações por improbidade? E fazer provar nela? Por que elas se arrastam?

d) a quem interessa esse jogo de "aciona"/"não aciona", "prova"/"não prova"? Ao Judiciário? Será por isso que o Ministério Público, no Brasil, é hipertrofiado, com seus membros com autoridade maior que autoridade policial, ganhando mais que delegado de polícia e praticamente equiparados aos juízes? será por isso que possuem espaços em fóruns, verba própria em orçamento (2%), sempre respeitada (nem o Judiciário conta com isso)?

e) a quem incumbe fazer as provas??? RESPONDA SR. MINISTRO!! Ao Juiz? À Defesa?

A cultura da impunidade decorre de um plexo de fatores, e só a ignorância ou a má-fé exacerbada pode imputá-la unicamente a uma instituição. Nem o Ministério Público sozinho, nem o Judiciário, nem a OAB, nem a Defensoria, o Legislativo e o Executivo, ou mesmo a Sociedade Civil possuem culpas sozinhos. 

Somos todos culpados, sr. Ministro.

Mas o desculpo. É que, antes do sr. ingressar no STF, o sr. era membro do Ministério Público Federal e, nessa condição, pôde fazer seus estudos na Europa, apartando-se da realidade pátria. E esquecendo-se, por anos, do que era assinar uma denúncia.

Boca do Inferno.


Pimpões...

Estamos cheios de pimpões e parlapatões dando pitacos no Poder Judiciário, o único que não pára, jamais, de incomodar a todos - Executivo, Legislativo, empresários, jornalistas irresponsáveis, patrões exploradores, fiscais corruptos e autoritários etc. - por dever de ofício.

Nada obstante, fomos chamados, de modo irresponsavelmente generalista, de "bandidos de toga". Aquela que assim nos chamou, esse mês foi pega de calça curta, tendo de explicar por que razão, num país em que o teto remuneratório é o subsídio de ministro do STF, recebeu mais de 100 mil reais, dos quais 84 mil reais em auxílio-alimentação!

QUEM COME TANTO? 

Veio a senhora dos bons costumes dizer que é direito de todo juiz federal. Péra lá!! Pode até ser, pois todo servidor recebe. Mas com respeito ao teto, pois não? Ou ela está acima da lei?

Agora entendo porque Suas Excelências das Cortes Superiores estão, literalmente, pouco se importando para o reajuste dos subsídios dos magistrados.

Recebendo esses altos valores, com vencimentos superiores a 100 mil reais, quem precisa do subsídio? Com Ministro do STF proprietário de instituição de ensino, quem precisa de subsídio? Com Ministros do STF dando aulas em diversas faculdades, que lhes buscam em jatinhos em Brasília, quem precisa de subsídio? Com Ministros do STF e do STJ recebendo auxílio-moradia para morar no local em que está sediado o Tribunal onde trabalham, quem precisa de subsídio?

É a hipocrisia dos pimpões, que se dizem arautos da ética, à custa do trabalho e da imagem dos tolos e pobres mortais de 1º e 2º Graus, que são JUÍZES de verdade, porque ingressaram na carreira por concurso.

Bem dizem que a Verdade não é filha da Fúria da argumentação, mas sim do Tempo.

E o Tempo tem demonstrado como andam esses arautos da ética: Demóstenes Torres, Chalita e Eliana Calmon.

Boca do Inferno



27 de fevereiro de 2013

Comédia


Deu no conjur.com.br:

“A Suprema Corte de Nova Jersey começou a julgar, nesta terça-feira (26/2), o caso do juiz que acumula a carreira de magistrado com a de comediante.” 
Engraçado: enquanto nos EUA se discute se magistrado pode exercer paralelamente a profissão de comediante, no Brasil há muito os juízes têm feito o papel de palhaço.

Bel. Pinguelas de Miranda

26 de fevereiro de 2013

Quem pagou a conta?



Deu no blog do Frederico Vasconcelos:

“No intervalo da sessão do Conselho Nacional de Justiça de terça-feira passada (19/2), os conselheiros foram convidados para almoçar na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, em Brasília, e conhecer a nova diretoria.
Alguns advogados, sem cerimônia, aproveitaram a ocasião para fazer “sustentação oral” antecipada a respeito de dois casos em andamento no CNJ: o do processo digital de Pernambuco e o do horário de abertura dos fóruns em São Paulo.”
Tendo em vista a recente Resolução do CNJ regulamentando o patrocínio de eventos de magistrados, limitando a 30% o patrocínio de eventos, indaga-se:
Quem pagou os outros 70% deste almoço?

Bel. Pinguelas de Miranda

A quem interessa um Poder Judiciário fraco?


A quem interessa um Judiciário fraco?

Fiz Direito e Jornalismo ao mesmo tempo, o que faz com que a maior parte de meus amigos seja jornalista ou da área jurídica e me faz ficar grande parte do meu tempo livre explicando aos amigos jornalistas questões ligadas à Magistratura e aos amigos juízes porque os jornalistas implicam tanto com os juízes.
O tema da vez são as férias.
Por que os juízes tem 60 dias de férias, se são trabalhadores como quaisquer outros? Por que esse privilégio?
Explico aqui como explico aos meus amigos.
Em primeiro lugar, juiz não é trabalhador como outro qualquer.
Juiz não tem emprego.
Juiz é agente político, assim como os prefeitos, governadores, presidente, vereadores, deputados e senadores.
Juiz não tem jornada de trabalho, não ganha hora extra, não tem FGTS, não tem patrão.
Temos três poderes independentes e fundamentais para nossa Democracia: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.
Cada um deles tem uma autoridade que o representa.
Em uma cidade pequena, o Prefeito representa o Executivo, os vereadores o Legislativo e o juiz o Judiciário.
Alguém controla quantas horas por dia o Prefeito ou cada vereador trabalha?
Quantos dias de férias tem cada um deles?
Qual o Poder mais próximo das pessoas? Aquele que diretamente mais interfere na vida delas?
Quando eu prestei concurso para ser juíza, me lembro que estudei muito e comentava que se passasse, chegaria ao auge da minha profissão.
Passei e passei a ouvir de juízes e promotores que juízes e promotores ganhavam a mesma coisa, mas promotor trabalhava menos, porque falava em alguns processos, enquanto o juiz falava em todos os processos da vara. Mas valia a pena trabalhar mais e ganhar igual porque o juiz decidia.
Hoje, com as mudanças que se esta fazendo na carreira do juiz, com um salário que não é corrigido e vem perdendo para a inflação há anos, com limitação ao uso da licença prêmio e aumento diário do serviço, com inúmeras planilhas para alimentar e dados que viraram obrigação do juiz coletar (bacenjud, infojud e afins), trabalha-se muito mais que qualquer outra profissão pública ou jurídica.
Se o juiz deixar de ter sessenta dias de férias, mantendo o Promotor e a Defensoria as suas, juiz vai ganhar menos, trabalhar mais e continuar tendo mais responsabilidade por decidir.
Hoje Defensores Públicos e Procuradores Estaduais, Federais e muitos Municipais ganham muito mais que os juízes, ganham acima do teto em virtude de adicionais que o Executivos lhes oferece e os honorários que recebem.
A longo prazo, os candidatos certamente ficarão com a Magistratura como ultima opção, se não conseguirem passar nas outras carreiras jurídicas.
Teremos juízes carreiristas, que usarão a Magistratura como degrau para outras carreiras, como hoje acontece com os delegados de polícia estaduais, e mais suscetíveis a influências.
Veremos o sucateamento da Magistratura, como já vimos de outras carreiras, como a Polícia e o Magistério.
Que Poder é o único legítimo limitar os outros dois Poderes?
A quem as pessoas pedem auxilio quando sofrem algum tipo de injustiça?
A quem interessa um Poder Judiciário fraco?

Carolina Nabarro Munhoz

23 de fevereiro de 2013

CMJ (Casa da Mãe Joana)





"Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo, 
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada."

Eu sei que esta poesia do Eduardo Alves da Costa já tá batida, virou arroz de festa.
Mas não pude deixar de pensar nela quando li que o CNJ concedeu uma liminar determinando que o Poder Judiciário custeie as salas da OAB, pagando as contas de água e luz. 

Nossas flores e cachorros já se foram. Agora literalmente nos roubaram a luz.

Enquanto isto, ganha uma viagem de jatinho a Brasília quem apontar uma, apenas uma providencia que o CNJ tomou para garantir a independência financeira do Judiciário e de seus membros.

Bel. Pinguelas de Miranda




20 de fevereiro de 2013



O CTJ (Conselho Tutelar da Magistratura) decidiu que: apenas os encontros promovidos por tribunais, conselhos de Justiça (ah, eles podem!) e escolas da magistratura podem receber patrocínios para seus eventos; e, mesmo assim, limitados a 30% do custo total.

Ué, as associações, que são entidades privadas, não podem, e os tribunais, conselhos e escolas da magistratura, que são entidades públicas, podem?

Ué, até 30% (tabela de Brasília?) não torna os magistrados venais? Eles só se vendem acima disto?

É o uó do borogodó.

Bel. Pinguelas de Miranda

18 de fevereiro de 2013

Editorial da Folha


Editorial da Folha, citado no Blog do jornalista Frederico Vasconcelos:

É claro que apenas reduzir as férias dos magistrados não vai resolver o problema da morosidade e da ineficiência do Poder Judiciário, mas não há dúvida de que traria algum avanço.
Seria, além disso, uma demonstração importante de que a Justiça brasileira conseguiu superar o corporativismo e foi capaz de pôr fim a uma sinecura cara e antirrepublicana que a beneficiava.

Independente do mérito da questão se os juízes fazem ou não fazem jus a duas férias por ano, o que fica é a nítida impressão do ódio republicano que o escritor do editorial tem dos juízes, como se as férias não fossem concedidas pelo próprio poder da República (Legislativo) e como se os juízes, enquanto corporação, não tivessem o direito de defender o benefício.
Por que o editorial não defende a ideia de que 60 dias de férias deve ser estendida a todos os trabalhadores?
A resposta está que este republicanismo do editorialista é um republicanismo vesgo, ou seja, voltado para o próprio nariz.
Na república socialista capitalista dos patrões os trabalhadores se igualam por baixo.
Mas o que causa mais revolta e indignação é saber que os juízes pagam associações de classe para nada.
Não há um dirigente associativo que levante a voz, de imediato, para combater esse linguajar rasteiro do todo poderoso editorialista que equipara a magistratura a uma sinecura!
Sinecura! O editorial cospe na própria república contando com o “silêncio obsequioso” dos dirigentes associativos.

Augusto Francisco Mota Ferraz de Arruda

Justiça Fiscal




"Câmara estuda tributação especial para advogados"

"A Câmara dos Deputados analisa proposta que concede ao advogado profissional liberal o mesmo tratamento tributário dado às sociedades de advogados. A medida, prevista no Projeto de Lei 4318/12, é defendida pela Ordem dos Advogados do Brasil."

A mesma OAB que taxa de privilégios as prerrogativas dos magistrados, persegue privilégios, à guisa de prerrogativas, injustificáveis para si.

Enquanto os magistrados (aí sim como qualquer trabalhador normal) recolhem 27,5 % de IR na fonte, nos termos da lei, os advogados querem uma lei só deles, para que recolham no máximo 11,3 %. 

Porcentagem na alíquota dos outros é refrigério.

Deve ser culpa do Judiciário.


Bel. Pinguelas de Miranda





16 de fevereiro de 2013

Pneumocórtex


Durante quinze anos só tirou quinze dias de férias por ano.
E não via a hora de reassumir.

Desta vez tirou trinta dias.
E pela primeira vez ficou com medo de voltar.

Este ano foi no caribe venezuelano, ouvindo um tango argentino.

Ano que vem deverá ficar no Brasil mesmo.


Bel. Pinguelas de Miranda

QUATRO TOQUES ANTES DO APOCALIPSE QUE SERÁ DA DISCUSSÃO SOBRE JUDICIÁRIO QUE SE DESENHA DE NOVO

Vendo as discussões começarem a tomar rumo que não interessa a ninguém a não ser a quem queira aparecer por aparecer, lembrei-me de George Orwell (quem não conhece “joga no GoogleJud”), que dizia, pelo protagonista de 1984, que a verdadeira liberdade é a de dizer que dois e dois são quatro, bem como me parecendo que a magistratura se assemelha ao Carrossel, novela infantil encantadora do SBT, mas sem Professora Helena e cheia de Diretoras Olívias (essas, quem tem criança pequena em casa entende, se não, siga a sugestão anteriormente dada, por favor), resolvi dar quatro trombetadas. Versam elas sobre questões inicialmente internas que acho importante pontuar, pois mostram fraqueza associativa (leia-se fraqueza de quem deveria defender a magistratura, em especial a de São Paulo) e uma certa fragilidade de uma carreira maltratada e submissa, antes altiva, mas hoje de joelhos a muita burocracia de outros poderes, o que pode rebater na garantia do cidadão de um julgamento independente.
 
Às trombetadas pré apocalípticas, então:
 
1 - Algumas pessoas, mesmo em sistema absolutamente equivocado, fazem com que ele funcione. Refiro-me à nossa associação e suas funcionárias mais dedicadas, que homenageio e ressalvo como boas condutoras do que nos atende, ainda, a APAMAGIS, o que faço na pessoa da Sra. Leila Lopes, do atendimento. Sem ironia e com respeito.
Esclarecimento dado, afirmo: a APAMAGIS morreu. Se pago como associado para ter acesso a convênios a que têm acessos também associações de não magistrados que procuram convênios e os acham a toda hora, a associação não é minha. Explico em exemplo: a Associação dos Procuradores do Estado, mesmo que em baixa temporada, pode usufruir de nossas colônias de férias. Não paga mensalidade na associação, mas o exclusivo deixa de ser algo para o associado. Até porque, coitado, ele, associado normal ou “meia entrada”, pode chegar no restaurante do centro e não ter mesa para almoçar, cheia de familiares forenses de fora da magistratura, pois o convênio abarca isso também: acesso ao restaurante. Quem mantém o restaurante, o funcionário, a conta de telefone? O mesmo com relação à Nascimento Turismo que, ali, por exemplo, mostra a putrefação associativa para os magistrados, atendidos em fila com os Procuradores do Estado, sendo ela nascimento de vantagens para carteira grande também de prestação de serviços aos mesmos Srs. Procuradores do Estado, com nossa estrutura associativa, mas sem pagar por um interurbano sequer. E, como dizia minha avó, “fazem DDD antes das 22 h!”
Já morta para o interior (comprar carro via associação, por exemplo, só ajuda mesmo quem mora em SP, porque são impressionantes a reserva territorial das concessionárias e a falta de possibilidade de quem mora em Comarca de centenas de quilômetros da praça da Sé chegar à revendedora da Capital, até para serviços de revisão e manutenção de garantia em blindagem de carros), agora a APAMAGIS morre definitivamente para os magistrados porque é para todo mundo, mas quase ninguém paga mensalidade. E, estranho, tem gente de divisão ideológica interna (a que manda o coração do TJ como violador de direitos humanos para Cortes Internacionais analisarem entendimentos jurisdicionais, numa visão de liberdade de petição e expressão tão aberta que quebra não só o coleguismo, mas a LOMAN e o associativismo) que decide em casa como fazer esses “vantajosos”convênios...
Somos todos da família forense. Respeito a todos. Quero o mesmo respeito institucional associativo: paguemos todos mensalidades, então, não é mesmo Conselho Deliberativo, Consultivo E Fiscal? E chega de fingimentos: ninguém se candidata a nada mais porque a APAMAGIS está virando minimagis. Não nos defende. Confunde interiorização com reunião, almoço e foto linda de um belo jornal mensal que distribui aos associados e não associados (e para o interior, por vezes, com mais de mês de atraso). Manchetes estragantes de um tempo de reflexão refletem a inflexão: “Diretoria ouve reclamos dos colegas da comarca tal... – falta de espaço é o maior problema...” Mas sobra espaço para quem Procura... E acha... Com jeitinho... na Capital.
Não sou eu que prego divisão não. A APAMAGIS já a faz. Há, sabidamente, castas diversas de associados e, agora, de beneficiários mesmo não associados.
E nem toco na questão de patrocínio de evento por entidades privadas. Falo o contrário. Em vez de pedir DVD para uma entidade privada, não porque a mídia condena, mas porque isso é realmente pouco inteligente, peçam-se descontos nos carros a serem vendidos aos associados, nos planos de saúde, melhor atendimento da Vivo, que parece morta, na rede e nos planos ofertados, espraiando os benefícios ao Estado todo. Descontos em restaurantes e hotéis, e não distribuição de coisas em sorteios bobos de jantares de final de ano. E, em vez de ceder gratuitamente a outras associações o que é de usufruto só nosso, ora, também porque é pouco inteligente em termos financeiros e de bom atendimento, atenda melhor, porque passa a cuidar dos juízes. E dos juízes associados.
A não ser que haja reciprocidade que desconheço. E em qualidade e fora da capital também. Afinal, os magistrados são do Estado todo e financiam todos eles o que, agora, afeta o atendimento pleno e é cedido gratuitamente a gestões de associações presididas por gente de família de juízes. A APAMAGIS morreu... para os proles, há tempos... Mas morreu como associação... Senão, vejamos, indo ao segundo toque:
2 – A APAMAGIS vai ou não vai perguntar aos proles, os pequeninos da magistratura que diz representar, quem ela levará de nome ao Supremo para ocupar vaga de juiz dos Estados e Desembargador dos Tribunais de Justiças dos Estados no CNJ? Não gosto do jeito como concebido um órgão de controle ligado a uma secretaria permanente do executivo que trata de reforma do Judiciário. Nem entendo a existência da Secretaria, porque permanente e como se o judiciário fosse o problema do país, e não a desigualdade que se lhe dão por desfazer como função nova perante a mídia. Mas o CNJ está aí e se ele também pode ser bicho papão da liberdade de julgamento, dele quero participar, votando em representantes meus. Acho que não fará isso, talvez, nossa associação da família forense latu sensu hoje, não só porque nos bastidores não convenha, tamanha a aparente preocupação em agradar a todos os demais operadores do direito e da política, mas porque perante os outros órgãos de defesa da magistratura, mesmo com verborragia metafórica, a APAMAGIS passou a ser a minimagis. Quietinha ou verborrágica, não é mesmo, ela “não joga para a torcida”. E aí joga para a torcida contra a magistratura!!!!
Xiii, já aguardo texto respondendo a mim, associado, no site que sustento. Vai entender. É um rock no baile de máscaras que não se consegue mais dançar... Elas caíram... Basta olhar a ordem dos editoriais... As vice-presidências aparecendo mais que nunca nos jornais lindos que se distribuem Brasil afora, escrevendo mais e melhor que a presidência.
3 - Vendo gente grande da magistratura de São Paulo, Rio e até Brasília dando aula em tudo o que é lugar (até porque subsídio respeitado como manda a constituição, esqueçamos), pergunto a razão de ter eu, pobrezinho de mim, de pedir para a Corregedoria aprovar minha carga horária e matéria. Não estou dando aulas. Já o fiz, sim e nunca reclamei do controle correicional com o qual concordo. Voltarei quando o tempo me permitir, porque sou juiz e acadêmico, mas o jurisdicionado vem antes. O problema é ter planilha por preencher e tanta limitação por que responder. Achava até que era só em uma instituição de ensino superior que se poderia dar aulas. Mas a interpretação me parece tão aberta, mas tão aberta, mas tão aberta no que toca ao texto constitucional, que penso em dar aulas de geografia com GPS ou matemática no ensino médio... Vai que conta pra merecimento ajudar a juventude a se encontrar ou a entender que a verdadeira liberdade é mesmo a de dizer que dois e dois são quatro... Já ajuda enfiar a conciliação goela abaixo do jurisdicionado...
4 – é claramente equivocada a crítica à independência do primeiro grau de jurisdição, há algum tempo vista por alguns como um movimento desrespeitador de juízes que pregariam o tal independentismo de primeiro grau, como dito pelo Exmo. Ministro Gilmar Mendes. Isso porque juiz tem de pensar e decidir com independência, no mínimo. Segurança do cidadão isso. Então, partindo-se dessa premissa e olhando novo provimento do TJSP que tenta iniciar avaliações de juízes para atualizações e promoções, pergunto: que faz, com o devido respeito, meu colega pior ou melhor do que eu para promoção por merecimento se ele tem reformadas mais ou menos sentenças do que eu? Quem acerta sempre? Se nem o CNJ, imagine-se meu colega ou, data máxima vênia, o próprio TJ com suas “n” Câmaras sem norte jurisprudencial. Acertou o TJ se reviu a sentença? Necessariamente? Não funciona como um veto player necessário para definir a situação jurídica em democrático segundo grau de jurisdição ou é, sempre, o que tem a palavra certa? E se o STJ ou STF modificarem o que decidiu e voltarem ao decidido em primeiro grau? Dá pra avaliar merecimento do juiz para promoção por desmerecimento do TJ?
Se, note-se, SE a liberdade real é a de dizer que dois e dois são quatro, ou isso me é dado pela Constituição (e ninguém retira), ou não tenho liberdade de julgar conforme os autos. Mas, e se a Câmara “A” pensar diversamente da “B”. Qual entendimento sigo para sentenciar e “merecer” promoção? Só em Segundo Grau é que há independência, julgamento livre? Pobre povo que me procura no dia a dia... Impor bússola jurisdicional (e não jurisprudencial, com prudência sobre problema repetitivo em termos genéricos) é uma equivocada tentativa de objetivar merecimento, que pode esbarrar, com o devido respeito, em violação ao direito dos jurisdicionados.
Mas quando as decisões começarem no “recorta e cola”no que for matéria de fato, com exigência interpretativa e travesseiro como o melhor conselheiro afastados pelo sistema de sentença via ATMs, ah, aí quero ver.
 
E, como o personagem Cirilo, da novela Carrossel, já esclareço: só quis dizer...
É que como Ulisses Guimarães afirmava de si, vejo-me quando falecido, apontado pelos outros assim: ali vai um inconformado...
Marco Aurélio Stradiotto de Moraes Ribeiro Sampaio
Juiz de Direito no Estado de São Paulo, associado à APAMAGIS, MAGISCRED e AMB, porque crê no associativismo... ainda...
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15 de fevereiro de 2013

Bode


Publicado em veja.abril.com:


"Carga pesada

A carga de trabalho dos juízes de São Paulo é mais pesada que a do resto do país.

Cada juiz tem recebido, em média, cerca de 10 000 processos por ano para julgar. Atualmente, a média nacional anual é de 6 500 processos por magistrado.

A comparação do acervo, com base em dados do CNJ, foi feita pelo Anuário da Justiça São Paulo 2013, editado pelo Consultor Jurídico, que será lançado na semana que vem."


Deve ser por isto que o pessoal de Brasília tem tanto bode do TJSP.... 


Bel. Pinguelas de Miranda

14 de fevereiro de 2013

Pode?



Deu no O Globo:

“Supremo estuda fim das férias de 60 dias de juízes - Cresce na cúpula do Judiciário movimento para acabar com a prática”

(A cúpula que não tem um juiz de carreira que tenha gramado nas comarcas do interior, com acúmulo invencível de trabalho. A mesma cúpula que conta com vários assessores e assistentes, capas pretas, estrutura brasiliense e que, em regra, não tem metade das atribuições de um juiz do interior).  

Do corpo da reportagem:

“— Juiz não precisa de férias de dois meses. O que o juiz tem que fazer é organizar o gabinete e trabalhar — disse ao GLOBO um dos ministros do STF.
Ele pediu para não ter seu nome divulgado, porque não quer despertar a animosidade de parte dos juízes antes do início formal das discussões sobre o assunto.”

(“Organizar gabinete”?  Para a grande maioria dos juízes do Brasil seria necessário detalhar o que o anônimo ministro entende por “gabinete”. Um espaço indefinido, que se estende do cartório judicial, passando pelos extrajudiciais, penitenciárias, delegacias, instituições de abrigamento e internação, diretorias de fóruns, etc, e termina em fóruns sucateados,? Ou uma sala espaçosa, apinhada de assessores, diretores, computadores e memorabilias espalhadas sobre a mesa de madeira maciça e tampo de vidro?”
(“Juiz precisa é trabalhar”? Anônimo Ministro, a maciça maioria dos juízes trabalham à exaustão! Quando eu entrei na magistratura, Juiz era investido para julgar. Sentenças e decisões que envolvem vidas e patrimônios. Ler, analisar, refletir e decidir. Coisa que leva certo tempo. Hoje, juiz continua a decidir, sentenciar – e preencher planilhas, fazer penhora (Bacenjud, renajud, etcjuds), assistência social, relações públicas – mas tem que ser tudo rapidinho. E baratinho. Aliás, Anônimo Ministro, sabia que juiz não pode ter cafeteira – rebite orgânico - no “gabinete” porque o CNJ impôs meta de redução de consumo de energia elétrica? Sem falar que é para usar menos papel higiênico. Sabe o índice de incidência de distúrbios físicos e psíquicos em magistrados? Alguém está interessado nisto?
  

A ministra Eliana Calmon, vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), também não vê motivo para tratamento especial a juízes.

(...)

— Sou contra, porque acho que o juiz é um profissional como outro qualquer. Acho que nós não podemos ter privilégios. Como é que um juiz vai julgar os outros se ele tem uma vida diferente? — disse a ministra".

 (Olha ela aí, geente! Como diria o Caetano, “atras do trio elétrico só não vai quem já morreu...”. Beira as raias da má-fé dizer que juiz é profissional como outro qualquer, não tem um vida diferente! Pode tomar um porre no boteco da esquina? Pode abrir uma padaria? Pode ter amante na cidade? Pode cobrar hora-extra? Pode fazer greve? Pode ser sócio em uma empresa? Pode ser presidente de escola de samba? Pode sair em trio elétrico patrocinado? Ou só na pipoca?)


“O fim das regalias é tema candente também no governo federal. O secretário de Reforma do Judiciário, Flávio Caetano, entende que chegou a hora de colocar o assunto na agenda política do país. A secretaria, vinculada ao Ministério da Justiça, teve papel fundamental na criação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).”

(O Executivo - que “teve papel fundamental na criação do Conselho Nacional de Justiça” (sacaram?) – vem falar que o fim das regalias (rectius garantias) é tema candente no governo federal??? Esta lembra aquela marchinha: “tanto riso, ó quanta alegria, mais de mil palhaços no salão...”

— Férias de 60 dias foram concebidas em 1979. Se as condições de 1979 persistem, tem que ser discutido. Se temos juiz que vende férias, há algo errado. Ou os juízes ganham mal e precisam ser recompensados ou não precisam de férias de 60 dias — disse Caetano.

(Aqui eu tiro o chapéu pela retórica torta, mas que encontra eco em tempos de consumo barato. Na dúvida entre o juiz ganhar mal, e precisar ser recompensado, e ele não precisar de férias de 60 dias, tá resolvido: não tem um nem outro)


Reclamar na OEA não adianta nada.

E com o papa não dá mais.


Bel. Pinguelas de Miranda